quarta-feira, maio 17, 2017

California knows how to party

Depois de várias idas aos States, o desencanto. Talvez seja do vento que era muito, ou do made in china ou , mas a California pareceu-me só um Portugal descaracterizado. A costa da California, longe das florestas espetaculares - mais interiores - de árvores como não há cá, faz lembrar o Alentejo, eu sei, esta mania de nivelar tudo pelo meu Portugal, tudo à minha escala pequena e familiar, no fundo é um ressabiamento recalcado, a vontade de dizer que isto aqui é bem melhor, que aqui só somos maus a vender isto, mas simultaneamente a ideia de que falar disto um pouco mais alto vai ser o começo do fim da beleza da coisa, da beleza das coisas simples, que são só por ser. Uma praia é uma praia é uma praia.

quinta-feira, abril 20, 2017

Ainda a porra das vacinas

Percebo a dor dos médicos: pessoas com experiencia dão uma opinião informada, argumentam, apresentam soluções, fazem piruetas e no fim não conseguem convencer meia dúzia de casmurros de que só querem o melhor para todos. O que é um pouco assustador é que qualquer designer está habituado a isto porque, dizem, há muita subjetividade neste campo de trabalho. Que os médicos chegassem a este ponto, nunca pensaria. Agora só falta é juntar todos os designers, agências, ateliers e vãos de escada numa mega conspiração, chamar-lhe "big design" é viver à conta dos papalvos que ainda acreditam que a comic sans não deve ser a fonte do diário da república.

Ainda as vacinas

Ontem pensava na desinformação que anda por aí à volta da vacinação e como também é um problema de comunicação, onde os papers das farmaceuticas estão a perder caminho para formas de comunicação mais imediata e mais fácil de processar cognitivamente. Por isso fiz esta experiência, depois de estudar a linguagem visual usada pelos movimentos anti-vacinação.



quarta-feira, abril 19, 2017

Escolha a sua causa

Hoje as redes sociais estão num alvoçoro numa caça às bruxas não vacinadas. Como entendo a necessidade que muitas pessoas têm em mostrar que não fazem parte do rebanho mas geograficamente estão dentro de um onde eu pertenço, deixo aqui algumas opções que podem promover em alternativa à não-vacinação. Podem escolher uma só, e até podem promovê-la no facebook, como faz o pessoal do running e do crossfit:
Não usem microondas. Não usem pesticidas. Não comam alface. Não comam carne branca. Não comam carne vermelha. Não usem lã. Não usem polyester. Não comam alimentos geneticamente modificados. Não matem abelhas. Não comam abelhas. Não comam fósseis. Não vejam as horas. Não andem de bicicleta. Ou andem de bicicleta. Mas não usem capacete. Ou usem capacete. Não tomem aspirinas. Não usem desodorizante. Andem de metro. Não andem de autocarro. Comam gomas uma vez por semana. Não comam nada com açucar. Usem polyester. Só usem açucar mascavado. Não façam reciclagem. Façam reciclagem. Andem a pé. Não corram muito. Corram tudo. Bebam cerveja. Não bebam gasolina. Não usem cortiça. Não usem plásticos. Não usem sacos de plástico. Não comprem animais. Não vendam animais. Não comprem escravos. Não vendam escravos. Usem cesto de verga. Não comam animais com escamas. Não tomem a parte pelo todo. Não votem não. Não votem sim. Não percam tempo. Párem para pensar. Pensem duas vezes. Bebam 2 copos de águas antes de dormir. Não comam laranjas. Queimem bruxas. Não façam queimadas. Comam biológico. Bebam do mictório. Larguem as drogas. Cortem no café. Não andem de mota. Contem chemtrails. limpem os pés antes de entrar em casa.

segunda-feira, abril 17, 2017

Mais um ano

Isto anda parado, mas não morreu. Talvez esteja moribundo, mas é só porque a minha qualidade de vida me atirou para uma Suécia privada, onde não tenho nada para me queixar que mereça assim tanta atenção. Não ando muito de metro, nem de autocarro, ando pouco a pé num bairro onde toda a gente tem mais mestrados que eu, os vizinhos emigrantes dão-me os bons dias, já  acho que nem há racismo neste bairro, os putos do bar de baixo só fazem barulho no verão, já não leio notícias sobre o Trump, - porque já vivi uma guerra fria nos anos 80 e bastou-me, tenho mais que fazer do que me preocupar com acontecimentos que escapam do meu controlo - porque enfim, não me posso cansar muito.
Mantenho alguma estima por um tema: estragarem Lisboa - ou "o progresso" - continua a lixar-me, e passa por coisas pequenas, como ir tomar o pequeno almoço a caminho do trabalho e sem dar por isso, levar com um caos pseudo-hipster com tábuas a fazer de prato em banda sonora claramente forçada, - não há nenhum empregado de pastelaria, sem tatuagens contemporaneas, sem peircings, e que não seja claramente de Belas Artes que ouça Bill Evans às 9 da manhã de uma segunda feira voluntariamente  - uma salada de opções que são só tiradas de uma colecção do pinterest sem o mínimo interesse e que não pertencem nem a Lisboa nem a lado nenhum. Sim, o turismo, sim essa tralha toda, mas eu ainda tenho direito a querer que isto não mude. É mais cómodo para mim, e isso é que interessa.
Este blog faz 11 anos. Já foi moderno, já foi uma antiguidade, hoje é uma instituição. Há jornais com menos credibilidade que isto. Foda-se, até o Saraiva tem opiniões mais estupidas que eu.

terça-feira, março 21, 2017

Tiro no submarino

Descobri que um restaurante de Lisboa que me era desconhecido vai provavelmente fechar. Parece que é histórico. Há uma petição para o salvar. No meio da indignação habitual que afecta só algum tipo de estabelecimentos - auto link, esse assunto já foi abordado cientificamente aqui - só me resta perguntar, porque é que ninguém me avisou que o Faz Frio existia, sequer? isso de haver restaurantes históricos famosos que eu não conheço parece-me cruel.